A Geração “Nem Nem”

Olivia escreve falando que tem 23 anos e está sem trabalhar desde setembro, quando foi demitida do cargo de assistente comercial. Desde então ela já enviou mais de 80 currículos e diz que não foi chamada para nenhuma vaga que valha realmente a pena. “Só aparecem vagas aquém do que ela precisa para sobreviver”, diz

Ela pergunta o que fazer e pede ideias para ser contratada e logo voltar ao trabalho.

A Olívia provavelmente integra o grupo de quase 10 milhões de  brasileiros entre 15 e 29 anos que nem trabalham nem estudam, chamados carinhosamente de “nem-nem”.

A proporção é ainda maior na faixa dos 18 aos 24 anos, em que um em cada quatro jovens não está no mercado nem estuda (24%) — um aumento em relação ao censo de 2000, quando esse grupo representava 18,2% da população nessa idade. A explicação para esse crescimento estaria basicamente no aumento de renda da população brasileira, o que permitiu a esses jovens se dar ao luxo de adiar tanto a saída da casa dos pais quanto a entrada no mercado de trabalho.

Numa análise mais aprofundada, grupo dos “nem-nem” é bem mais heterogêneo do que se imagina. Segundo o IBGE, 69% dos “nem-nem” são mulheres e 57% delas têm pelo menos um filho — o que é, aliás, o principal motivo para a saída dessas profissionais do mercado.

E aí, encontram creches particulares caras demais, creches públicas sem vagas e empresas contratando pessoas com melhor especialização. É essa situação que dá origem ao chamado “desemprego por desalento”, caracterizado por pessoas que estão sem trabalho e deixaram de procurar durante, pelo menos, um mês, por desestímulo do mercado. Há ainda os que não buscam colocação porque não querem ou têm outros planos.

Considerando todas as faixas etárias, há 61 milhões de pessoas no Brasil que não trabalham, não procuram emprego e, em sua maioria, não estudam. Ainda que a maior parte dos “nem-nem” seja formada por profissionais com pouca qualificação, existe uma parcela do grupo constituída por gente que, em tese, teria facilidade para encontrar um novo emprego.

O que Olívia deve fazer é recomeçar por baixo em uma empresa promissora, com visão de futuro e oportunidade de crescimento. Deve se qualificar e fazer todos os cursos possíveis! Existem muitos gratuitamente por aí, inclusive na Fundação Getúlio Vargas.  O que não pode é desistir.

E pra descontrair um pouco, a charge de NANI sobre o assunto: