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O impacto do governo Lula 4 nas vendas: o que esperar?

Foto do escritor: Diego Maia
Diego Maia
há 11 minutos
6 min de leitura

Lula foi reeleito. O Brasil continuará dividido politicamente, mas quem vive de vendas não pode se dar ao luxo de ficar parado. Entre juros elevados, consumidores endividados, mudanças tributárias e incertezas econômicas, uma pergunta precisa ser respondida: como vender mais nos próximos quatro anos?


O impacto do governo Lula 4 nas vendas, Diego Maia, palestrante de vendas

As eleições terminaram. Luiz Inácio Lula da Silva conquistou seu quarto mandato como presidente da República. Milhões de brasileiros comemoram. Outros tantos lamentam. Mas, para quem vive de vendas, existe uma realidade que não muda com o resultado das urnas: amanhã o cliente continuará precisando ser conquistado.


O boleto não tem partido. A folha de pagamento não tem ideologia. O aluguel vence independentemente de quem ocupa o Palácio do Planalto.

E o vendedor que precisa cumprir sua meta não pode simplesmente cruzar os braços e esperar pelas próximas eleições.


Há mais de duas décadas, acompanhando profissionais de vendas, comerciantes, empreendedores e empresas de todos os portes, aprendi uma coisa: o ambiente econômico influencia profundamente os negócios, mas a capacidade de reação de cada profissional também determina seus resultados.


Por isso, não quero discutir aqui se Lula deveria ou não ter vencido. As urnas deram essa resposta.


Quero discutir o que realmente importa para quem precisa vender, empreender, gerar empregos e colocar dinheiro dentro de casa. Vou avaliar aqui o impacto do Governo Lula 4 nas vendas.

1. O consumo será o grande termômetro do governo Lula 4


O primeiro ponto de atenção é o poder de compra das famílias brasileiras.


Não adianta comemorar indicadores econômicos positivos se o consumidor chega ao fim do mês sem dinheiro para comprar.


O comércio depende de renda disponível. O setor de serviços depende de confiança. A indústria depende de demanda. E praticamente todos dependem, direta ou indiretamente, de crédito.


O novo mandato de Lula poderá ampliar políticas de transferência de renda, estimular o consumo popular e fortalecer determinados setores da economia. Essas medidas podem movimentar o comércio, especialmente em mercados voltados às classes de menor renda.

Mas existe o outro lado.


Se a inflação comprometer o orçamento das famílias, se o endividamento continuar elevado e se o crédito permanecer caro, parte desse estímulo poderá perder força.


O que o vendedor precisa observar não é apenas quanto dinheiro circula na economia, mas quanto desse dinheiro efetivamente chega ao seu mercado.

O movimento da economia nacional importa. O movimento do caixa da sua empresa importa ainda mais.


2. Juros altos continuarão sendo um obstáculo para vender e provavelmente o maior impacto do governo Lula 4 nas vendas


No momento em que escrevo este artigo, o Brasil convive com uma taxa básica de juros de 13,75% ao ano.


Para quem vive de vendas, isso está longe de ser apenas um número exibido nos telejornais.

Juros elevados encarecem financiamentos, dificultam investimentos, aumentam o custo do capital de giro e tornam o consumidor mais cauteloso.


Quem vende imóveis, veículos, equipamentos, móveis, serviços de maior valor ou produtos parcelados conhece bem essa realidade.


A queda dos juros dependerá de fatores como inflação, expectativas econômicas, política fiscal e decisões do Banco Central.


Não existe garantia de crédito barato simplesmente porque um governo venceu a eleição.

Enquanto isso, o profissional de vendas precisa desenvolver uma habilidade cada vez mais importante: demonstrar valor suficiente para superar a insegurança de compra do cliente.

Em tempos de crédito caro, vender deixa de ser apenas convencer alguém a comprar. Passa a exigir que o cliente compreenda por que vale a pena investir seu dinheiro naquela solução.


3. Mais impostos, burocracia e insegurança podem pressionar os negócios


Outro desafio será a relação entre o Estado e quem produz.


O Brasil está atravessando uma ampla transformação do seu sistema tributário. A implementação da reforma exigirá adaptação de empresas, contadores, fornecedores e gestores.

A promessa é construir um sistema de tributação sobre o consumo mais simples e transparente no longo prazo.


Mas a transição exigirá atenção aos custos, aos sistemas de faturamento, à formação de preços e ao fluxo de caixa.


Além disso, a condução das contas públicas e eventuais mudanças na tributação poderão afetar a confiança empresarial.


O empresário precisa de previsibilidade para contratar, investir e expandir.


E não podemos esquecer uma verdade elementar: antes de existir arrecadação, precisa existir atividade econômica. Antes de existir emprego, precisa existir alguém disposto a empreender.

O Brasil precisa valorizar quem trabalha, mas também precisa criar condições para quem gera trabalho.


Não importa a ideologia: dificultar a vida de quem produz dificilmente será um caminho sustentável para a prosperidade.


4. O governo influencia a economia. Mas não faz a sua venda.


Aqui começa a parte mais importante desta conversa.


Conheço vendedores que prosperaram em períodos de recessão. Conheço empresas que cresceram enfrentando inflação, instabilidade política e concorrência feroz.

Também conheço profissionais que não conseguiram vender mesmo quando a economia estava aquecida.


Por quê?


Porque o mercado não distribui oportunidades de maneira igual. E, principalmente, porque nem todos estão igualmente preparados para aproveitá-las.


Enquanto alguns vendedores passam o dia reclamando do governo, outros estão prospectando novos clientes.


Enquanto alguns empresários culpam Brasília por todos os seus problemas, outros revisam processos, reduzem desperdícios, investem em tecnologia e melhoram seu atendimento.

Isso não significa ignorar os erros da política econômica ou absolver governantes de suas responsabilidades.


Significa reconhecer que reclamar pode até aliviar a indignação, mas não substitui uma estratégia comercial.


O governo pode facilitar ou dificultar o ambiente de negócios. Mas não vai fazer suas ligações, responder seus clientes, melhorar sua proposta ou negociar por você.


5. A maior ameaça ao vendedor pode nem estar em Brasília


Enquanto o país discute a vitória de Lula, uma transformação muito maior continua acontecendo.

A inteligência artificial está mudando a maneira como as pessoas pesquisam, comparam e compram.


O comércio eletrônico pressiona o varejo tradicional. Novos concorrentes aparecem diariamente. Consumidores estão cada vez mais informados, exigentes e menos tolerantes a atendimentos ruins.


E a velocidade dessas mudanças não depende do resultado de uma eleição.


O vendedor que continuar trabalhando como fazia há dez anos poderá enfrentar dificuldades, independentemente de quem seja o presidente.


A empresa que não investir em produtividade, relacionamento, tecnologia e diferenciação ficará vulnerável.


O seu concorrente mais perigoso talvez não seja aquele que está na loja ao lado. Pode ser aquele que já aprendeu a vender de uma maneira que você ainda nem conhece.

Por isso, os próximos quatro anos exigirão muito mais do que resistência política ou otimismo econômico.


Exigirão adaptação.


6. O que fazer para continuar vendendo entre 2027 e 2030?


Minha recomendação para vendedores, representantes comerciais, corretores, profissionais liberais e empreendedores é objetiva.


Acompanhe os indicadores econômicos, mas não fique refém deles. Entenda como juros, inflação, impostos e crédito afetam o comportamento dos seus clientes.


Diversifique suas oportunidades. Uma operação excessivamente dependente de um único perfil de consumidor, produto ou canal comercial fica mais vulnerável às oscilações da economia.

Aprenda a vender valor, não apenas preço. Em um mercado pressionado, quem só sabe conceder descontos pode acabar destruindo a própria margem de lucro.


Invista em inteligência artificial, automação e produtividade. Tecnologia não deve ser tratada apenas como ameaça, mas como instrumento para alcançar mais clientes e melhorar resultados.

E, acima de tudo, mantenha uma disciplina comercial inegociável.


Prospecção, relacionamento, negociação, acompanhamento e pós-venda continuarão sendo fundamentais.


Nenhum presidente substitui essas competências.


7. O Brasil não pode parar. E quem vive de vendas, muito menos.


Lula terá a responsabilidade de conduzir a economia brasileira em seu quarto mandato. Precisará enfrentar desafios relevantes nas contas públicas, na inflação, nos juros, no crescimento e na geração de oportunidades.


Cabe ao governo oferecer condições para que o país cresça. Cabe à sociedade acompanhar, cobrar resultados e exercer seu direito de crítica.


Mas cabe a cada profissional assumir o protagonismo da própria trajetória.


Você pode ter votado em Lula. Pode ter votado em Flávio Bolsonaro. Pode ter anulado o voto ou simplesmente não ter comparecido.


A partir de agora, porém, existe uma condição que une milhões de brasileiros de diferentes convicções políticas:


Todos precisam continuar trabalhando.

O cliente não vai comprar de você porque seu candidato venceu. Tampouco deixará de comprar apenas porque seu candidato perdeu.


Ele vai comprar quando perceber confiança, necessidade, oportunidade e valor.

É por isso que minha mensagem para os próximos quatro anos é simples:


Não espere que o governo resolva sua vida comercial. Não permita que a política paralise seus negócios. E não transforme a indignação em desculpa para a falta de ação.


Critique quando for necessário. Cobre quando for justo. Participe das discussões sobre o futuro do país.


Mas continue prospectando. Continue aprendendo. Continue negociando. Continue vendendo.

Porque, no final das contas, o Brasil não precisa apenas de bons governantes.


Precisa também de pessoas capazes de transformar dificuldades em oportunidades, trabalho em resultados e ideias em negócios.


O Brasil terá mais quatro anos de Lula.


A pergunta que realmente importa para você é outra:


O que você vai fazer com os seus próximos quatro anos?


Seja qual for sua resposta, não esqueça: onde tem venda, tem vida.


Diego Maia é palestrante de vendas e uma das principais referências em vendas do Brasil. Autor de oito livros sobre vendas — dentre eles 7 Princípios da Venda — e fundador da agência de palestrantes CDPV Companhia de Palestras e do Grupo CDPV. Desde 2003, é presença constante em convenções de vendas e eventos corporativos, com foco no desenvolvimento de equipes comerciais, treinamento de vendas e alta performance comercial — somando mais de 1.800 palestras realizadas e 500 mil profissionais treinados no Brasil e no exterior. Apresenta o Podcast de Vendas do Diego Maia, publicado diariamente desde 2009, sempre às 7h, com mais de 2.000 episódios. É editor do portal Vendedor Profissional. Desde 2011, Diego Maia lidera o movimento #SouDeVendasComOrgulho, pela valorização e profissionalização de quem vive de vendas no Brasil. Seu lema resume sua filosofia: “Onde tem venda, tem vida”.

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​​​​​Diego Maia é palestrante de vendas: mais de 1.800 palestras realizadas desde 2003 no Brasil e no exterior. ​ Apresentador diário do Podcast de Vendas do Diego Maia,  autor de 8 livros e fundador da CDPV Companhia de Palestras. ​

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